Constelação Familiar: Explorando as Leis do Amor, Ordens da ajuda e benefícios terapêuticos
- Juliana Holanda Mesquita
- 27 de nov. de 2023
- 4 min de leitura
Atualizado: 31 de jan.

As constelações familiares emergiram como uma abordagem terapêutica única que busca desvendar as complexidades das relações familiares e suas influências no bem-estar psicológico. Originada nas décadas de 1970 e 1980 por Bert Hellinger, um terapeuta alemão, essa prática tem se expandido globalmente, mudando-se em uma ferramenta poderosa para explorar padrões familiares, dinâmicas ocultas e promover a cura emocional. Neste texto, aprofundaremos a compreensão das constelações familiares, abordando sua origem, as leis do amor propostas por Hellinger, as ordens de ajuda que guiam o processo terapêutico e os benefícios terapêuticos que podem ser realizados através dessa prática.
Origem da Constelação Familiar
As constelações familiares têm suas raízes na terapia familiar sistêmica, mas sua formulação específica ao trabalho inovador de Bert Hellinger. Hellinger, inicialmente um sacerdote católico, posteriormente estudou psicanálise, terapia primal e terapia gestáltica, antes de desenvolver seu próprio método terapêutico. Inspirado por suas experiências missionárias na África do Sul, onde teve contato com diversas culturas e tradições, Hellinger começou a perceber padrões recorrentes nas dinâmicas familiares que transcenderam barreiras culturais.
Ao integrar suas experiências profissionais e pessoais, Hellinger desenvolveu as constelações familiares como uma maneira de acessar as dinâmicas inconscientes presentes nas famílias. Sua abordagem era única porque não se concentrava apenas na comunicação verbal, mas também incorporava uma dimensão não verbal, permitindo que as emoções e os vínculos invisíveis fossem revelados.
Leis do Amor nas Constelações Familiares
As constelações familiares são fundamentadas em uma série de "leis do amor", princípios fundamentais que Hellinger estabelece como orientadores das dinâmicas familiares saudáveis. Essas leis fornecem uma estrutura conceitual para entender e abordar os desafios dentro das famílias. Entre as principais leis do amor propostas por Hellinger, destacam-se:
Lei do Pertencimento: Esta lei sugere que todos os membros de uma família têm o direito de pertencer e serem reconhecidos. Hellinger inspirou que, em algumas famílias, certos membros são excluídos ou ignorados devido a eventos passados. Excluir ou ignorar membros da família pode levar a conflitos e desequilíbrios sistêmicos. No processo da constelação, os membros da família podem ser posicionados de forma a garantir que todos se sintam incluídos e reconhecidos. Isso pode envolver a reintegração de membros excluídos ou a resolução de conflitos não resolvidos.
Lei da Hierarquia: Hellinger sugeriu que a ordem de nascimento e a posição na família desempenham papéis cruciais. Respeitar a posição natural contribui para a harmonia, enquanto desafios nessa área podem resultar em conflitos. Na constelação, os membros são posicionados espacialmente de acordo com sua posição na família. O terapeuta observa como esse arranjo influencia as dinâmicas e emoções.
Lei do Equilíbrio entre Dar e Receber: Essa lei destaca a importância do equilíbrio nas trocas emocionais e materiais entre os membros da família. Desequilíbrios nessa área podem levar a sentimentos de dívida ou obrigações. Esta ordem busca restaurar o equilíbrio entre dar e receber. A redistribuição simbólica de cargas emocionais pode ocorrer para aliviar e promover a harmonia.
"Somente quando estamos em sintonia com o nosso destino, com os nossos pais, com a nossa origem e tomamos o nosso lugar, temos a força.” - Bert Hellinger
As constelações familiares operam com um conjunto específico de ordens que direcionam a dinâmica terapêutica. Estas instruções são princípios orientadores que ajudam a criar uma representação visual e simbólica da dinâmica familiar. Algumas das ordens mais fundamentais incluem:
Benefícios Terapêuticos das Constelações Familiares
As constelações familiares oferecem uma variedade de benefícios terapêuticos, impactando não apenas o indivíduo, mas toda a dinâmica familiar. Alguns dos benefícios mais importantes incluem:
Compreensão Profunda das Dinâmicas Familiares: Ao visualizar as relações de maneira simbólica, os participantes ganham uma compreensão mais profunda das dinâmicas familiares e das influências que moldam seu comportamento.
Reconhecimento e Aceitação: A prática promove o reconhecimento e a facilidade das relações familiares, permitindo que os participantes superem conflitos e encontrem uma perspectiva mais compassiva.
Promoção da Empatia: Ao representar diferentes membros da família durante uma constelação, os participantes experimentam a perspectiva uns dos outros, promovendo a empatia e a compreensão mútua.
A abordagem simbólica da constelação familiar permite que os participantes enfrentem traumas familiares e encontrem caminhos para a cura, muitas vezes resultando em uma liberação emocional significativa.
Melhorar os relacionamentos: Ao abordar questões não resolvidas e promover mudanças na dinâmica familiar, pois as constelações familiares podem contribuir para a melhoria dos relacionamentos entre os membros da família.
Desenvolvimento Pessoal: A participação nas constelações familiares pode levar ao desenvolvimento pessoal, proporcionando insights profundos sobre padrões de comportamento e opiniões que podem estar limitando o crescimento individual.
Concluindo
As constelações familiares representam uma abordagem terapêutica única e poderosa para explorar as complexidades das relações familiares. Desde sua origem nas experiências de Bert Hellinger até as leis do amor, as ordens de ajuda e os benefícios terapêuticos, essa prática continua a evoluir e a impactar efetivamente a vida de muitos. Ao integrar a dimensão simbólica e sistêmica, as constelações familiares oferecem uma perspectiva inovadora e eficaz para a compreensão e resolução das dinâmicas familiares, promovendo a cura e o bem-estar emocional.
"A paz começa onde cada um de nós pode ser da forma que é, onde cada um de nós permite ao outro ser tal como é e ficar onde está. Isso significa, ao mesmo tempo, respeitar os limites mútuos, que ninguém ultrapassa o limite do outro, que cada um permaneça dentro do âmbito dos seus próprios limites.” - Bert Hellinger
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